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Da fronteira ao comando nacional: Fátima Silva é a nova presidenta da CNTE

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Brasília foi palco de um reencontro simbólico da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) com sua própria história. Ao ser empossada presidenta da entidade para o quadriênio 2026–2030, a professora Fátima Silva não apenas sucedeu Heleno Araújo: ela marcou o retorno de uma mulher ao posto máximo da Confederação após quase duas décadas.

Eleita pela chapa “Unidade para Lutar e Conquistar”, a dirigente sul-mato-grossense leva para o centro do debate nacional a vivência do chão da escola e a experiência diplomática forjada na atuação internacional.

A nova diretoria reflete a diversidade territorial e política da CNTE, reunindo dirigentes de todas as regiões do país. A composição traduz a força nacional da entidade e garante que as diferentes realidades da educação brasileira estejam representadas na condução da Confederação.

Sua posse, no 35º Congresso da CNTE, no dia 18 de janeiro de 2026, foi atravessada por emoção, memória e um chamado político direto à categoria.

Em seu primeiro pronunciamento, Fátima conectou sua trajetória pessoal à luta coletiva de mais de um milhão de trabalhadoras e trabalhadores da educação.

“Chegamos até aqui com o coração cheio de esperança, gratidão e muita responsabilidade”, afirmou, antes de situar suas origens: “E se alguém perguntar de onde venho, como diz a música Sonhos Guaranis, ‘venho da fronteira onde o Brasil foi Paraguai’”.

Do chão da escola à liderança nacional

A identidade fronteiriça de Fátima não é retórica. É o alicerce de sua militância. Sua carreira no magistério começou em 1985, em Coronel Sapucaia (MS), município que ela define como parte do “Brasil profundo”, onde fronteiras são mais encontros do que limites.

Foi ali, em meio à escassez de vagas, salários atrasados e ausência de políticas públicas, que se formou sua consciência política. “Vim do chão da escola, e foi lá que descobri muito cedo que ser educadora é um ato de coragem”, disse.

Sua trajetória acompanha a própria organização da categoria no Centro-Oeste. Participou de greves históricas ainda nos anos 1980, ajudou a fundar a associação local de professores e chegou à presidência da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (FETEMS), cargo que ocupou por dois mandatos. 

O caminho da sala de aula à liderança nacional consolidou-se agora no comando da maior confederação de educadores da América Latina.

Protagonismo feminino e representatividade

A eleição de Fátima Silva tem peso simbólico para uma categoria composta majoritariamente por mulheres. Ela é a segunda mulher a presidir a CNTE em toda a história da entidade, após Juçara Dutra Vieira (2002–2008).

Em seu discurso, Fátima rejeitou a leitura de que sua posse seja apenas uma mudança administrativa. “Não se trata apenas de ocupar um cargo, mas de reafirmar que as mulheres têm voz, têm história e têm papel central na luta sindical e na construção da educação pública brasileira”, afirmou.

Ao citar Conceição Evaristo, reforçou que “o importante é abrir caminhos”. Sua gestão, garantiu, dará centralidade às pautas de gênero e ao enfrentamento do machismo estrutural que desvaloriza a docência ao naturalizar o trabalho do cuidado.

“Não viveremos dias fáceis”

A nova presidenta assume em um cenário nacional e internacional adverso. Em tom direto, alertou para o avanço da extrema direita, os ataques às instituições democráticas e as tentativas de mercantilização da educação.

“Companheiras e companheiros, não viveremos dias fáceis e em calmaria”, advertiu. “Por isso, precisamos estar juntos e nos apoiar, alimentar a esperança, estar presentes na nossa base social, porque é de lá que vem a nossa força.”

Entre as prioridades anunciadas estão a resistência à Reforma Administrativa, a garantia do Piso Salarial Profissional Nacional com repercussão na carreira e a defesa da liberdade de cátedra. 

“Temos a luta permanente pela autonomia nos processos de ensino e aprendizagem, enfrentando a onda conservadora que nos coloca sob ataque e vigilância”, afirmou.

Para inspirar a resistência necessária, recorreu a Eduardo Galeano: “Dos medos nascem as coragens; e das dúvidas, as certezas. Os sonhos anunciam outra realidade possível”.

Um olhar para o mundo e para o futuro

Com ampla experiência internacional, Fátima afirmou que a soberania dos povos é inegociável. Criticou a “ganância imperialista” e defendeu o fortalecimento da articulação com a Internacional da Educação e com centrais sindicais do mundo. 

“Precisamos ampliar a solidariedade aos povos irmãos da América Latina e do mundo, resistindo em defesa da paz, dos direitos humanos e do multilateralismo”, disse.

Ao encerrar sua fala, sintetizou o espírito que deve guiar a CNTE até 2030: honrar o passado sem abrir mão da invenção do futuro. “Legado não é passado. É projeção de novos caminhos de resistência, lutas, conquistas e esperança.”

Com a força de quem começou a lecionar na periferia da fronteira e hoje lidera uma entidade de dimensão continental, Fátima concluiu com uma convocação à unidade e à bravura:

“O presente nos convoca, o futuro nos desafia. A vida e a luta exigem coragem. E coragem não nos falta.”

COMPOSIÇÃO DA DIRETORIA DA CNTE – GESTÃO 2026/2030

Nova diretoria da CNTE é eleita com 93,76% dos votos no 35º Congresso

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Com 93,76% dos votos, a Chapa 10 – “Unidade para Lutar e Conquistar” venceu as eleições para a Direção Executiva e o Conselho Fiscal da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) para o quadriênio 2026–2030. Com o resultado,Fátima Silva assume a presidência da entidade, dando início a um novo ciclo de lutas à frente da maior confederação de trabalhadores em educação da América Latina.

COMPOSIÇÃO DA DIRETORIA DA CNTE – GESTÃO 2026/2030

A votação ocorreu no sábado, 17 de janeiro, durante o 35º Congresso da CNTE, realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF), que reuniu cerca de dois mil delegados e delegadas de todas as regiões do país. A chapa vencedora reúne uma ampla aliança de forças políticas — entre elas ARTSIND, CSD, CTB, AE, MS, Avante, Intersindical e Bloco Alternativo — e assume com o compromisso de fortalecer a unidade da categoria diante dos desafios da conjuntura política e educacional.

Também disputou o pleito a Chapa 20 – CNTE com Independência de Classe e Luta, formada por Educadores PSTU – CSP Conlutas, MLS, Democracia e Luta, Lute, CIP, CUT Pode Mais, OSL, MLC, CPE, Revolução Brasileira, Nossa Classe, Unidade Classista, Oposição Revolucionária e independentes.

A eleição de Fátima Silva tem peso simbólico especial para uma categoria composta majoritariamente por mulheres. Ela é a segunda mulher a presidir a CNTE em toda a história da entidade, após Juçara Dutra Vieira (2002–2008).

“Não se trata apenas de ocupar um cargo, mas de reafirmar que as mulheres têm voz, têm história e têm papel central na luta sindical e na construção da educação pública brasileira”, afirma a nova presidenta, Fátima Silva. 

Educação, Democracia, Sustentabilidade e Soberania

A divulgação do resultado da eleição da chapa, realizada na manhã deste domingo (18), encerrou o Congresso com o horizonte voltado para a organização da categoria e o enfrentamento dos desafios que se impõem à educação pública brasileira. Foram quatro dias intensos de debates, formulações e encontros que marcaram o Congresso como um dos mais representativos da história recente da entidade

Realizado entre 15 e 18 de janeiro de 2026, o 35º Congresso teve como eixo central a unidade e a resistência, definindo o novo Plano de Lutas da categoria em um contexto de enfrentamento à extrema direita, à mercantilização do ensino e às tentativas de privatização da escola pública.

Desde a cerimônia de abertura, o evento foi atravessado por posicionamentos contundentes contra a militarização da educação e os modelos de escolas cívico-militares. Em seu discurso, o presidente da CNTE (2022-2026), Heleno Araújo, destacou o caráter simbólico e político do encontro como um ato de resistência diante dos ataques sofridos pela educação nos últimos anos.

Debates e análises de conjuntura

A programação do Congresso combinou análise de conjuntura, debates sobre política educacional e sindical, plenárias deliberativas, grupos de trabalho e atividades culturais. 

Painéis com convidados como o neurocientista Miguel Nicolelis, a senadora Teresa Leitão e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, colocaram no centro temas como o papel social da escola pública, a valorização docente, a diversidade e a sustentabilidade socioambiental.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também marcou presença no evento e firmou três compromissos centrais com a categoria: o combate à privatização, a valorização dos profissionais e o enfrentamento às escolas cívico-militares. Em declaração aplaudida pela plenária, afirmou que “a escola é lugar de professor e não de militar” e defendeu a educação como ferramenta central para impedir que a população seja manipulada por fake news.

A senadora Teresa Leitão (PT/PE) reforçou que a legislação educacional vigente é fruto da luta histórica dos trabalhadores e defendeu que o campo educacional siga o exemplo do governo Lula na oposição à militarização do ensino.

O evento reuniu ainda ex-presidentes da CNTE como Hermes Zanetti, Carlos Abicalil, Horácio Reis e Juçara Dutra Vieira e Roberto Leão. Eles rememoraram a luta contra a ditadura militar e conquistas fundamentais, como o Fundeb e o Piso Salarial Nacional, reafirmando que a luta sindical é uma construção contínua e coletiva.

COMPOSIÇÃO DA DIRETORIA DA CNTE – GESTÃO 2026/2030

Macaé Evaristo defende escola pública como pilar da democracia e convoca educadores à resistência

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O painel “Diversidade e Sustentabilidade Socioambiental”, realizado na tarde desta sexta-feira (16) durante o 35º Congresso da CNTE, promoveu uma reflexão profunda sobre democracia, direitos humanos e educação pública a partir da trajetória histórica dos movimentos sociais. Mediado por Carlos Furtado, secretário de Combate ao Racismo da CNTE, e Isabel Costa, diretora executiva da entidade, o debate teve como destaque a participação da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo.

A mesa foi marcada por falas que articularam ancestralidade, luta coletiva e os desafios contemporâneos do Brasil e do mundo.

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Ancestralidade e trajetória de luta

Na abertura, Carlos Furtado apresentou a palestrante e saudou a ancestralidade do povo negro, ressaltando o simbolismo de uma mesa composta por duas mulheres negras e um homem negro. Para ele, aquela configuração expressava a força e a resistência histórica da população preta.

Macaé fez questão de se apresentar e situar sua trajetória. “Tudo o que eu construí na minha vida, meu jeito de ver o mundo e de pensar, veio do movimento social, do movimento dos trabalhadores e trabalhadoras da educação e do movimento negro”, afirmou, destacando esses espaços como territórios de aprendizado, organização e celebração coletiva.

A ministra lembrou com orgulho a realização da Conferência Nacional da Pessoa Idosa no âmbito do ministério e apontou o desafio de construir novas formas de pensar o envelhecimento no país, com saúde, dignidade e alegria.

Educação como base da democracia

Em sua exposição, Macaé foi categórica ao afirmar que não há democracia sem uma educação pública diversa, inclusiva e comprometida com os direitos humanos. “A educação é uma peça fundamental da democracia brasileira. Não existe democracia sem educação pública”, disse, evocando Anísio Teixeira e a escola como engrenagem essencial da vida democrática.

Ao longo da fala, alertou para o risco de esvaziar conceitos como democracia, sustentabilidade e direitos humanos, transformando-os em meros discursos. Para ela, o desafio é fazer com que esses princípios se materializem na vida das pessoas, especialmente no cotidiano escolar. “A educação em direitos humanos precisa ser uma política pública estruturante, permanente e transversal, articulada à forma como pensamos a educação e aos sujeitos que a constroem”, afirmou.

Retrocessos e desumanização

Macaé contextualizou os retrocessos recentes no Brasil e no cenário internacional, citando o avanço de discursos autoritários, racistas e xenofóbicos. Criticou políticas anti-imigração, a criminalização da pobreza e da população em situação de rua, além da violência contra moradores das periferias. Para a ministra, esses processos retiram a humanidade de grupos inteiros e aprofundam desigualdades históricas.

Ao tratar da realidade brasileira, lembrou como trabalhadores da educação, povos indígenas e populações negras foram alvo de ataques em governos passados. Segundo ela, trata-se de um projeto que tenta desconstituir a ideia de bem comum, de escola pública e de Estado laico.

Organização, coragem e futuro

A ministra ressaltou a importância da organização coletiva e da atuação sindical diante do medo e das tentativas de intimidação vividas por educadores nas comunidades. “Medo a gente tem. Só que a gente não usa. Nós vamos enfrentar, porque sem escola pública e sem democracia, a gente não vive”, afirmou, sob aplausos.

Em um dos momentos mais marcantes, compartilhou uma reflexão que orienta sua atuação política: “Viver é diferente de estar vivo”. Para Macaé, viver exige coragem, posicionamento e compromisso com a transformação social.

Encerrando a mesa, Carlos Furtado dirigiu uma fala de fortalecimento e solidariedade, especialmente às mulheres, às mulheres trans e ao povo preto, reafirmando a necessidade de seguir lutando contra as opressões e em defesa da dignidade humana.

No segundo dia do Congresso, Centrais Sindicais reforçam estratégia de luta

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A mesa sobre política sindical reuniu representantes da CUT, CTB, Intersindical e CSP-Conlutas no 35º Congresso da CNTE e evidenciou a centralidade da unidade da classe trabalhadora diante dos desafios impostos à educação e aos direitos sociais no Brasil e no mundo. O debate foi mediado por Rosilene Corrêa, secretária de Finanças da CNTE, que destacou a importância da articulação entre as centrais para fortalecer as lutas históricas do movimento sindical.

Na abertura, Rosilene afirmou que a presença das diferentes centrais no congresso reafirma a necessidade de caminhar coletivamente. “A classe trabalhadora precisa estar reunida para vencermos as nossas batalhas na educação. É caminhando juntos que teremos um Brasil mais justo e com a classe trabalhadora respeitada”, declarou.

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Direitos Humanos

Representando a Intersindical, Joana de Oliveira resgatou a trajetória do movimento sindical e defendeu a unidade como condição para a vitória da classe trabalhadora. “Buscamos a unidade porque acreditamos que, sem unidade, não é possível vencer”, afirmou.

A dirigente trouxe ao centro do debate a solidariedade internacional e a defesa dos direitos humanos ao denunciar a situação do povo palestino. Para ela, cabe ao movimento sindical se posicionar diante de violações graves. Joana defendeu que o governo brasileiro rompa relações com Israel, classificando o que ocorre na Palestina como genocídio, e ressaltou o caráter histórico do congresso. “Esse congresso ocorre em um momento histórico. Viva a classe trabalhadora mundial”, disse.

Avanço da extrema direita e disputa de projetos

Matheus de Morais Lima, secretário de Articulação de Políticas Setoriais, analisou a conjuntura internacional e nacional, destacando o crescimento da extrema direita e seus impactos sobre a classe trabalhadora. Segundo ele, o mundo vive uma disputa entre projetos distintos.

“De um lado, o velho imperialismo, especialmente o norte-americano; de outro, a ascensão da China, que é uma experiência própria do povo chinês e que merece um debate mais aprofundado”, explicou.

Para Matheus, o cenário global é marcado por uma ofensiva conservadora, visível em conflitos como os da Palestina e do Líbano, e pelo fortalecimento de projetos autoritários. Ele avaliou que, se antes o principal inimigo era o neoliberalismo, hoje a classe trabalhadora enfrenta uma extrema direita mais violenta, autoritária, machista, homofóbica e negacionista, muitas vezes sem compromisso com a democracia.

Ao tratar do Brasil, destacou que a derrota do bolsonarismo e a eleição de Lula representaram uma vitória histórica, ainda que limitada, fruto de uma ampla aliança. “Foi uma vitória importante, mas cheia de limites. O bolsonarismo não desapareceu e segue como uma força política real”, afirmou.

Diante desse cenário, apontou o dilema dos movimentos populares: sustentar o governo e, ao mesmo tempo, pressionar por mudanças estruturais. “Sem avanços reais, não há sustentação popular possível”, disse, defendendo que a unidade construída nas ruas e nas urnas seguirá sendo essencial.

Reforma trabalhista 

Representando a CTB, Ronaldo Leite concentrou sua fala nos impactos da reforma trabalhista de 2017. Para ele, as mudanças não atingiram apenas direitos, mas a própria estrutura de resistência da classe trabalhadora.

Ronaldo destacou o fim da contribuição sindical compulsória, a ampliação do trabalho intermitente e as restrições à negociação coletiva, que impuseram severas limitações ao movimento sindical e aprofundaram a precarização. Citou a expressão “carteira assinada sem salário” para ilustrar o cenário.

Apesar disso, ressaltou o papel estratégico dos sindicatos da educação, que seguem entre os mais organizados e representativos das centrais, reafirmando a importância do setor na resistência aos retrocessos.

CUT, autonomia sindical e desafios atuais

O secretário da CUT, Ariovaldo de Camargo, resgatou a origem da central e seu compromisso com a liberdade e a autonomia sindical. Lembrou que a CUT nasceu para romper com o modelo de tutela do Estado sobre a organização dos trabalhadores.

Segundo ele, embora o ideal inicial fosse a construção de uma central unificada, divergências históricas impediram esse avanço. Ainda assim, a CUT manteve o compromisso com a auto-organização, tendo como referência a Convenção 87 da OIT. Para Ariovaldo, o desafio atual é avançar em um modelo sindical capaz de fortalecer a resistência frente aos interesses do capital. “Ou você está ao lado dos progressistas, ou está somando do outro lado”, afirmou.

Piso, eleições e mobilização

Ao encerrar a mesa, Rosilene Corrêa reafirmou que a luta pelo piso salarial do magistério é uma bandeira histórica da CNTE. Destacou a importância de compreender o percurso político do país nas últimas duas décadas para orientar a ação sindical no presente.

Segundo ela, o debate só produz mudanças reais quando se transforma em mobilização. Embora a reeleição do presidente Lula seja fundamental, não resolve sozinha os problemas estruturais da educação. Rosilene alertou para a necessidade de enfrentar também governos municipais que não apoiam as lutas educacionais.

Por fim, afirmou que 2026 será um ano decisivo para a educação, exigindo organização, mobilização permanente e unidade do movimento sindical para garantir avanços concretos e a valorização dos profissionais da área.

Solidariedade internacional fortalece a luta pela educação pública no 35º Congresso

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A participação de delegações internacionais deu dimensão global ao 35º Congresso Nacional da CNTE, realizado nesta sexta-feira (16), em Brasília. Representantes sindicais de diversos países levaram mensagens de solidariedade e reafirmaram que a defesa da educação pública, da democracia e dos direitos trabalhistas ultrapassa fronteiras.

A secretária-geral da CNTE, Fátima Silva, sublinhou o significado político do encontro. “Receber representantes de tantos países mostra que nossa luta não é isolada. A defesa da escola pública é uma causa internacional, construída coletivamente pelos trabalhadores e trabalhadoras da educação”, afirmou.

O presidente da CNTE, Heleno Araújo, reforçou o compromisso da entidade com a solidariedade internacional e a resistência aos retrocessos. Em seguida, conduziu o coro que tomou o auditório: “Fora Trump da América Latina”.

Hugo Yasky, presidente da Central de Trabalhadores Argentinos (CTA), abriu as falas destacando a unidade da luta sindical latino-americana em defesa da democracia e da educação pública. 

Já o representante da  National Education Association (NEA), dos Estados Unidos, Noel Candelaria, manifestou o apoio dos educadores norte-americanos aos profissionais brasileiros.

Representando a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), de Portugal, José Feliciano Costa elogiou a dimensão do congresso e ressaltou o papel transformador da escola pública. “A direita não gosta da escola, porque ela permite que os alunos sejam alguém. Os sindicatos são construtores fundamentais da escola pública”, afirmou.

Já a coordenadora da Internacional da Educação para a América Latina, Gabriela Bonilla, fez um resgate simbólico da trajetória da CNTE. “No hino de vocês se fala em ‘paz no futuro e glória no passado’. Essa glória revela o quanto a CNTE foi e segue sendo importante. O meu país precisa da CNTE”, disse.

A mesa foi composta, ainda, pelas lideranças Carmem Ludwig, do Sindicato da Educação e da Ciência (GEW), da Alemanha, e Fredy Hernan Molina Jimenez, da Federação Colombiana de Trabalhadores da Educação (Fecode); 

Ao final, Fátima Silva e Heleno Araújo entregaram às delegações fotos de pontos turísticos de Brasília, gesto que simbolizou acolhimento, troca cultural e o fortalecimento da solidariedade entre educadores de diferentes partes do mundo.

Educar para humanizar: painel alerta para riscos da IA e defende uma escola centrada

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O Painel “Política Educacional”, realizado na manhã desta sexta-feira (16), dentro da programação do 35º Congresso da CNTE, em Brasília, reuniu reflexões políticas, sociais e científicas sobre os rumos da educação brasileira. O debate contou com as contribuições da senadora Teresa Leitão (PT) e do médico e neurocientista Miguel Nicolelis.

A atividade foi coordenada por Guelda Andrade, secretária de Assuntos Educacionais da CNTE, e por Luiz Carlos Vieira, secretário de Imprensa e Divulgação da entidade.

Educação como direito inegociável

Em sua exposição, Teresa Leitão destacou que a política educacional não pode ser pensada de forma distante da sociedade. Para ela, o direito à educação só se realiza plenamente quando alcança todas as pessoas.

“A lei já diz: a educação é para todos e para cada um. Enquanto houver um sem escola, a Lei não estará sendo cumprida”, afirmou. A senadora defendeu a humanização do processo educativo como eixo central da reconstrução do país, ressaltando que educar é, прежде de tudo, cuidar de pessoas.

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Disputas e reconstrução

Ao abordar o cenário político, Teresa lembrou as disputas em torno do Plano Nacional de Educação (PNE), destacando a tensão permanente no Congresso Nacional em cada ponto do documento. “Imaginem o que foi no Congresso a tramitação do PNE. Qualquer vírgula é motivo de disputa”, disse.

Segundo ela, acesso, permanência, qualidade e universalidade continuam sendo desafios históricos da educação brasileira, agravados nos últimos anos. A senadora avaliou que o país vive um cenário de “terra arrasada”, com impactos profundos no setor, mas projetou esperança ao defender a consolidação de políticas públicas comprometidas com o direito à educação.

Tecnologia sem ingenuidade

Na sequência, Miguel Nicolelis fez uma análise crítica sobre o papel da tecnologia, em especial da inteligência artificial, nos processos educacionais. Para o neurocientista, a IA não pode ser vista de forma ingênua.

“A inteligência artificial nada mais é do que um projeto de dominação e controle, que visa, no extremo, à homogeneização da mente humana”, afirmou. Segundo ele, há o risco de formar indivíduos que não questionam, que aceitam passivamente lógicas impostas pelo mercado.

Nicolelis contextualizou o debate a partir da história, lembrando que a associação automática entre avanço tecnológico e progresso humano é antiga e equivocada. “Grandes historiadores, desde a Idade Média, já diziam que não se pode confundir tecnologia com progresso”, ressaltou.

Que seres humanos queremos formar?

O neurocientista chamou atenção para a necessidade de refletir sobre o tipo de ser humano que a escola pretende formar. “Nós não vamos a lugar nenhum se não soubermos que tipo de seres humanos queremos formar nas escolas”, afirmou.

Como exemplo, citou a experiência recente da Suécia, país referência em educação, que decidiu retirar computadores das salas de aula nos anos iniciais. Para ele, a relação direta entre professor e estudante é insubstituível. “Não existe sala de aula sem intercâmbio entre aluno e professor”, enfatizou.

A centralidade da experiência humana

Nicolelis reforçou que o cérebro humano não opera segundo a lógica digital e jamais poderá ser substituído por máquinas. “O cérebro humano não funciona em lógica digital, ele criou essa lógica”, disse.

Segundo ele, a condição humana é um fenômeno não computável, que não pode ser reduzido a fórmulas matemáticas. Quando se força o ser humano a funcionar como um sistema computacional, há um empobrecimento da experiência humana e do próprio processo educativo.

O painel evidenciou que os desafios da política educacional passam tanto pela garantia de direitos básicos — como acesso e permanência na escola — quanto pela defesa de uma educação crítica, humanizada e comprometida com a formação integral dos sujeitos, em um contexto marcado por disputas políticas e rápidas transformações tecnológicas.

Vozes que fizeram história na CNTE abrem o segundo dia do 35º Congresso

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O segundo dia do 35º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), nesta quinta-feira (16), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, começou com a saudação do presidente da entidade, Heleno Araújo. Em sua fala, ele destacou o caráter histórico do momento vivido pela categoria e apresentou a composição da Comissão Eleitoral do Congresso, aprovada por unanimidade pela plenária. 

Na sequência, teve início o momento mais simbólico da manhã: as saudações de presidentes e presidentas que ajudaram a construir a trajetória da Confederação ao longo de décadas de enfrentamento, resistência e conquistas em defesa da educação pública. A atividade foi mediada por Fátima Silva, secretária-geral da CNTE.

Participaram das saudações Hermes Zanetti, Horácio Reis, Carlos Augusto Abicalil, Juçara Dutra Vieira e Roberto Leão. O ex-presidente Roberto Fenício não pôde estar presente, mas enviou uma mensagem aos congressistas, reafirmando seu apoio às lutas da CNTE.

ACESSE AQUI TODAS AS FOTOS DA SAUDAÇÃO DOS PRESIDENTES ANTERIORES DA CNTE 

Memórias de resistência

Ao saudar a plateia, Hermes Zanetti falou da emoção de retornar a um espaço de luta que ajudou a construir. “É uma honra muito grande estar aqui”, afirmou. Em sua fala, relembrou um episódio emblemático da resistência sindical durante a ditadura militar, quando uma mobilização no Acre foi impedida pelo Exército.

Segundo ele, a assembleia acabou sendo realizada dentro de uma igreja, com o apoio do bispo local. “O bispo da época me acolheu e me acompanhou em segurança até o aeroporto”, relatou, arrancando aplausos dos congressistas.

Conquistas que mudaram a história

Horácio Reis fez um resgate da construção da CNTE desde o final dos anos 1980, ressaltando que as lutas travadas ao longo desse percurso resultaram em avanços memoráveis. Ele citou o Pacto pela Valorização do Magistério e pela Qualidade da Educação, firmado em 1994, que previa melhorias nas condições de trabalho e a criação de um piso nacional para os profissionais da educação.

“Essas conquistas não precisam apenas ser lembradas, mas valorizadas e comemoradas por todos nós”, afirmou. Horácio também destacou a transformação do Fundef em Fundeb, consolidada no governo Lula, e recordou os ataques recentes à democracia. “Enfrentamos um golpe institucional em 2016 e, em janeiro de 2023, uma tentativa de novo golpe.”

Ousadia e dignidade

Carlos Augusto Abicalil ressaltou o orgulho e a admiração pela CNTE, associando a trajetória da entidade à ousadia de enfrentar a ditadura militar. “Viemos da coragem de desafiar aquilo que era dado como definitivo. Viemos proclamar que o poder nasce do povo e é o único exercício capaz de promover dignidade a todos”, afirmou.

Uma luta que não se encerra

Juçara Dutra Vieira destacou o caráter coletivo e internacional da luta sindical, saudando delegações estrangeiras e entidades convidadas. Para ela, o fato de os integrantes da mesa serem apresentados como “presidentes anteriores”, e não “ex-presidentes”, simboliza a continuidade da luta.

“Nessas batalhas que travamos, nenhum de nós é substituível. A luta é coletiva, não é local, é nacional e internacional”, afirmou. Juçara também lembrou a conquista do piso salarial nacional do magistério, alcançada durante o governo Lula. “Foi uma vitória de peso, que envolveu uma categoria que nunca havia sido reconhecida dessa forma.”

Tecendo o amanhã

Roberto Leão recorreu à poesia para sintetizar o espírito da CNTE, citando “Tecendo a Manhã”, de João Cabral de Melo Neto: “Um galo sozinho não tece uma manhã”. O verso foi associado à construção coletiva do movimento sindical.

Ele destacou que a história da CNTE foi feita por muitas mãos, com ousadia e enfrentamento. “Não nos submetemos àqueles que querem sufocar a classe trabalhadora e o amanhã que queremos tecer. Vamos seguir firmes, lutando pela educação pública”, afirmou.

O início do segundo dia reforçou o tom político do Congresso e evidenciou que a trajetória da CNTE é marcada pela resistência, pela construção coletiva e pela defesa permanente da educação pública, dos direitos dos trabalhadores e da democracia.

Análise de conjuntura alerta para avanço da extrema direita e disputas no cenário global

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Com a presença da professora Ângela Carrato, a Conferência abordou política internacional, atuação da extrema direita e desafios da democracia no Brasil e no mundo

A Conferência de Análise de Conjuntura, realizada durante o 35º Congresso da CNTE, em Brasília, nesta quinta-feira (15), promoveu uma reflexão aprofundada sobre o cenário político internacional e nacional. Em pauta, o avanço da extrema direita, a atuação das grandes potências e o papel estratégico da mídia na construção de narrativas políticas.

A exposição foi conduzida por Ângela Carrato, jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com mediação da secretária de Relações de Gênero da CNTE, Berenice Darc, e participação do secretário de Relações Internacionais da CNTE, Roberto Franklin de Leão. 

Avanço global da extrema direita

Ângela destacou que a extrema direita vem conquistando espaço significativo em diversos países, especialmente na Europa, alterando o equilíbrio político do continente e influenciando decisões geopolíticas globais. Nesse contexto, afirmou que ações de lideranças como Donald Trump devem ser compreendidas como expressões de disputas de poder, interesses econômicos e estratégias internacionais, especialmente na relação com a China e na influência sobre países da América Latina, como a Venezuela.

Democracia brasileira em perspectiva histórica

A expositora fez um resgate histórico da democracia no Brasil, lembrando os 21 anos de ditadura militar. Segundo ela, havia a expectativa de que o período democrático posterior traria avanços mais rápidos e estruturais, o que não se confirmou plenamente.

Políticas neoliberais adotadas nos anos seguintes, como no governo Collor, somadas às crises políticas que se sucederam, evidenciam que o processo de consolidação democrática foi mais complexo do que se imaginava.

Ela também destacou o ambiente político do último mandato do presidente Lula, marcado por denúncias amplamente exploradas pela mídia. Naquele momento, havia a sensação de que o país entraria em um novo ciclo de estabilidade política — expectativa frustrada pelos acontecimentos posteriores e pela ascensão de forças golpistas e da extrema direita.

Poder político, economia e narrativa

Na avaliação apresentada, esses grupos seguem atuando de forma articulada, inclusive no campo econômico. Como exemplo, Ângela citou o envolvimento de ao menos 20 municípios, todos governados por partidos de direita, com recursos aplicados em um mesmo banco, o que evidencia uma relação estreita entre interesses políticos e financeiros.

Ela criticou a forma como a grande mídia trata episódios dessa natureza, muitas vezes com solenidade excessiva ou desviando o foco dos fatos centrais, contribuindo para a distorção da narrativa.

Mídia corporativa e criminalização política

A conferência também abordou o comportamento da mídia corporativa nos últimos anos. Segundo Ângela, desde o início do atual governo há um processo contínuo de criminalização política, que atinge não apenas o Executivo, mas também o Supremo Tribunal Federal, alimentando conflitos e divisões na sociedade.

Em contraste, após a prisão de Bolsonaro e de militares envolvidos em tentativas golpistas, parte da mídia passou a adotar um discurso mais condescendente, tratando-os como vítimas, o que revela contradições na cobertura jornalística.

Violência institucional e negligência

Outro ponto central da análise foi a naturalização das agressões cometidas durante o governo Bolsonaro, inclusive no contexto da pandemia da Covid-19. Ângela lembrou que mais de 700 mil pessoas morreram no país, muitas dessas mortes evitáveis, e que esse cenário de violência institucional e negligência foi, em grande medida, relativizado ou silenciado pela mídia.

Embora o desgoverno tenha terminado, ressaltou que seus efeitos e práticas ainda permanecem presentes na sociedade.

Educação como trincheira democrática

O debate também se voltou para o cenário político de 2025. Do ponto de vista parlamentar, segundo a expositora, trata-se de um ano curto, fortemente impactado por um processo eleitoral que, na prática, nunca foi interrompido. Nesse contexto, a mídia volta a atuar como agente central na tentativa de dividir setores progressistas e enfraquecer a unidade política.

Ao encerrar sua exposição, Ângela destacou o papel estratégico dos profissionais da educação. Para ela, professores e professoras são lideranças fundamentais nas escolas, nas famílias e nas redes sociais, com responsabilidade direta no combate à desinformação.

Apesar da dimensão dos desafios e da força dos adversários políticos, afirmou que é possível vencer novamente, desde que haja organização, consciência crítica e atenção permanente à atuação da mídia.

Presidente da CNTE participa de reunião em Brasília sobre o Piso do Magistério

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O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, participou nesta quarta-feira (15), em Brasília, de uma reunião com o ministro da Educação, Camilo Santana, e dirigentes das principais entidades gestoras da educação no país para discutir o aprimoramento da Lei do Piso do Magistério. O encontro se deu antes da abertura do 35 Congresso da Confederação, que acontece na capital federal até o dia 18.

Também estiveram presentes o presidente do CONSED (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Zezinho Sobral; o presidente da UNDIME (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), Luiz Miguel Martins Garcia; e o presidente do CONSEC (Conselho Nacional de Secretários de Educação das Capitais), Renan Ferreirinha.

O encontro reuniu representantes da União, dos estados, dos municípios e dos trabalhadores em educação e teve como pauta central a atualização do piso salarial do magistério para 2026. A reunião foi marcada por um diálogo construtivo e resultou no consenso de que o novo valor deve assegurar a reposição da inflação, com a garantia de ganho real para professoras e professores.

Para a CNTE, o debate representa um avanço importante na valorização da educação pública e dos profissionais que sustentam a escola brasileira.

35° Congresso da CNTE reúne 2 mil educadores de todo Brasil

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A cerimônia de abertura do 35º Congresso da CNTE, nesta quinta-feira (15), em Brasília, foi marcada por simbolismo, posicionamentos firmes em defesa da educação pública e pela unidade entre entidades sindicais, estudantis, educacionais e partidárias. O evento, que conta com a participação de 2 mil delegados/as das entidades filiadas à CNTE, de todas as regiões do Brasil, teve início com a execução do Hino Nacional Brasileiro. Na sequência, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, saudou os participantes. 

Boulos apontou três compromissos centrais do governo do presidente Lula com a educação. O primeiro deles é a posição firme contra a privatização das escolas públicas. O segundo ponto destacado foi o enfrentamento ao avanço das escolas cívico-militares. Para o ministro, “a escola é lugar de professor e não de militar”, ressaltando que a educação não pode abrir mão desse princípio. O terceiro compromisso abordado foi a valorização dos profissionais da educação, pauta que, segundo ele, está “no DNA e na prática” da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e de seus sindicatos.

O ministro também fez um contraponto com governos anteriores, lembrando que, em outros períodos, projetos buscaram atacar os direitos dos servidores públicos ao tentar apresentá-los como detentores de “privilégios”. Nesse contexto, destacou que “quem tem privilégio neste país são os milionários”, citando iniciativas do governo Lula, como projetos de lei voltados à taxação dos super-ricos.

Ao encerrar sua intervenção, Guilherme Boulos afirmou que a educação ocupa um papel central na disputa política do país, por ser fundamental para evitar que a população “caia em falácias e fake news”. Segundo ele, todas as vezes que a direita chega ao poder, a educação é atacada, justamente pelo medo de “uma população estudada e consciente”.

Luta coletiva

O presidente da CNTE, Heleno Araújo, destacou a importância da continuidade da luta coletiva, afirmando que “precisamos dar sequência neste trabalho de manutenção da nossa profissão e da nossa educação”. Para ele, não existe um caminho perfeito a ser percorrido, e, muitas vezes, não se reconhece o peso das políticas públicas nesse processo. Segundo Heleno, o caminho da educação não é construído individualmente, pois “o caminho que se faz ao caminhar não se faz sozinho, faz-se sempre juntos”.

O presidente da CNTE também ressaltou o significado de o movimento educacional seguir reunido no 35º Congresso da entidade, mesmo após anos de ataques à educação pública. Para ele, o fato de o congresso acontecer demonstra resistência frente à extrema direita e aos negacionistas da ciência que fazem chacota da educação. Heleno destacou ainda que a categoria segue lutando para avançar nos direitos da educação e defendeu a necessidade de preparar as ações para os próximos quatro anos. Ao final de sua intervenção, declarou oficialmente aberto o 35º Congresso da CNTE.

Convidados

A mesa de abertura contou com a presença de de representantes do movimento estudantil, como Hugo Silva, presidente da UBES, e Madu Chaves, vice-presidenta da UNE no Distrito Federal. Participaram, ainda, representantes partidários, entre eles a senadora Teresa Leitão, pelo PT; Nivaldo Santana, membro da Direção Nacional do PCdoB; e Pedro Ivo, porta-voz da REDE Sustentabilidade no Distrito Federal. Miriam Fábia, do Fórum Nacional de Educação (FNE), e Luiz Miguel Garcia, da UNDIME, também marcaram presença.

A cerimônia também contou com saudações de diversas entidades sindicais e educacionais, entre elas a CONLUTAS, representada por Joaninha de Oliveira; a Intersindical; o PROIFES, por meio de seu presidente Wellington Duarte; a CONTEE, representada pelo coordenador-geral Railton Nascimento Souza; a CTB, com o presidente interino Ronaldo Leite; e a CUT, representada pelo secretário de Finanças Ariovaldo de Camargo. Também participaram entidades internacionais, como a IEAL, presidida por Sonia Alesso, e a Internacional da Educação, representada por seu presidente Mugwena Maluleke, além da CPLP-SE.

A senadora Teresa Leitão reforçou o compromisso histórico da categoria com a educação. Segundo ela, “muitas coisas que hoje são leis nasceram da luta desta dos trabalhadores”, destacando o papel do movimento educacional na construção de políticas públicas. A senadora também defendeu que o campo educacional siga o exemplo do governo Lula e se posicione de forma firme contra as escolas cívico-militares.

Ao longo da cerimônia de abertura, tornou-se recorrente a defesa da reeleição do presidente Lula como estratégia para garantir a continuidade das políticas públicas voltadas à educação, aos direitos sociais e à valorização dos profissionais do setor.